Infantino na corda bamba: confederações europeias querem sua cabeça na Fifa
Infantino na corda bamba: confederações europeias querem sua cabeça na Fifa
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta o maior abalo de sua gestão após as principais confederações europeias anunciarem que perderam a confiança em sua liderança. A pressão veio à tona após o dirigente propor vender 30% dos direitos comerciais da Copa do Mundo para investidores privados, um movimento que as federações consideram uma "venda da alma do futebol".
[IMG1]A Uefa, que reúne 55 federações europeias, liderou o movimento de repúdio ao plano de Infantino, classificando a proposta como uma ameaça à transparência e à governança do futebol mundial. A entidade não apenas criticou a ideia, como também deixou claro que, se necessário, apoiará um processo para destituir o atual presidente da Fifa. A Federação Inglesa (FA) endossou a posição, exigindo uma "revisão completa e rigorosa" da liderança da entidade máxima do futebol.
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A proposta de Infantino de abrir mão de 30% dos direitos comerciais da Copa do Mundo para investidores privados não é apenas uma mudança de estratégia — é uma revolução no modelo de negócios do futebol global. Historicamente, a Fifa sempre manteve o controle total sobre os direitos comerciais dos Mundiais, usando a receita para financiar o desenvolvimento do esporte em todo o mundo. Ao terceirizar parte desse controle, o risco é que interesses privados passem a ditar o ritmo das competições, algo que as federações temem que possa beneficiar apenas os grandes mercados.
Segundo apurado pelo The Telegraph, a Uefa estaria disposta a votar pela destituição de Infantino caso ele se recuse a recuar. A entidade europeia já havia sido uma das principais críticas ao plano, acusando o presidente da Fifa de "vender a alma do futebol" em nome de lucros imediatos. A pressão não vem apenas da Europa: federações de outros continentes também já sinalizaram desconforto com a proposta, que poderia desequilibrar ainda mais o poder dentro da Fifa.
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A nota da FA britânica resume o sentimento de muitas confederações: "Chegou a hora de uma revisão completa e rigorosa da liderança e da governança da Fifa para garantir que o futebol mundial seja administrado de forma transparente, em benefício das 211 associações filiadas". A mensagem é clara: as federações não querem mais um modelo onde decisões estratégicas sejam tomadas por um grupo reduzido de investidores, mas sim um sistema que priorize o esporte e seus valores.
A crise coloca Infantino em uma posição delicada. De um lado, ele argumenta que a venda de direitos comerciais poderia injetar bilhões na Fifa, permitindo investimentos maiores em categorias de base e infraestrutura. Do outro, as federações enxergam no plano um risco de privatização do futebol, onde o dinheiro — e não o esporte — passaria a ditar as regras. A tensão é tamanha que até mesmo a possibilidade de uma divisão dentro da Fifa, com a Uefa liderando uma frente contrária, não pode ser descartada.
## Contexto: a Fifa sob fogo cruzadoEsta não é a primeira vez que Infantino enfrenta resistência. Desde que assumiu a presidência em 2016, o dirigente tem sido alvo de críticas por sua gestão centralizadora e por decisões polêmicas, como a ampliação da Copa do Mundo para 48 times. Agora, com a proposta de comercialização dos direitos comerciais, o presidente da Fifa pode ter cruzado uma linha vermelha para as federações, que há anos cobram mais transparência e participação nas decisões.
O cenário lembra os anos 1990, quando a Fifa foi acusada de corrupção e má gestão sob a presidência de João Havelange e, depois, de Sepp Blatter. A diferença é que, naquela época, as denúncias vieram de dentro da própria entidade. Agora, a pressão vem de fora, com as federações — que são as verdadeiras donas do futebol — dizendo "basta".
Análise AmaFut
O plano de Infantino não é apenas um erro de comunicação — é um tiro no pé estratégico. Ao propor a venda de direitos comerciais, ele não só ignora décadas de modelo de governança como também coloca em risco a própria legitimidade da Fifa. As federações europeias, que sempre foram as maiores financiadoras do futebol global, agora ameaçam virar as costas para a entidade. Se Infantino não recuar, corre o risco de repetir o destino de Blatter: sair pela porta dos fundos após uma década de poder.
O problema é que, no futebol moderno, não há mais espaço para dirigentes que confundem gestão com autoritarismo. A Fifa precisa urgentemente de reformas, mas não desse jeito — com o esporte sendo tratado como uma ação na bolsa. Se as federações realmente quiserem salvar o futebol, a saída pode ser uma: criar um conselho independente para fiscalizar a entidade, tirando o poder das mãos de um único presidente. Infantino pode até sobreviver a essa crise, mas o preço será alto — e o futebol, mais frágil do que nunca.
Fonte
Trivela — Confederações se unem contra Infantino e colocam futuro do presidente da Fifa em xeque
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