Infantino nega pagamento de Uefa a suposta amante

Infantino nega pagamento milionário da Uefa a suposta amante
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, negou com veemência as acusações de que a Uefa teria pago uma indenização milionária a uma suposta amante enquanto ele ainda era secretário-geral da entidade europeia. A denúncia, publicada pelo Daily Telegraph, coloca em xeque a imagem do dirigente suíço em meio a uma temporada de turbulências no futebol europeu. Infantino classificou as alegações como "totalmente falsas" e prometeu responder judicialmente às insinuações.
A investigação do jornal britânico alega que a Uefa teria desembolsado cerca de 1,5 milhão de euros como parte de um acordo para encerrar uma relação profissional com a suposta amante de Infantino, identificada como uma ex-assessora da entidade. O valor teria sido pago em 2018, quando o dirigente já acumulava poder dentro da Uefa e se preparava para a transição rumo à Fifa. Infantino, que sempre negou envolvimento pessoal ou profissional com a funcionária, classificou a reportagem como "uma campanha de difamação" orquestrada por inimigos políticos.
📌 Leia também: San Jose contrata ex-executivo do Portland após polêmica no futebol feminino
O caso ganha contornos ainda mais delicados porque a Uefa é a entidade que regula as competições europeias e, teoricamente, deveria ser a primeira a zelar pela transparência. A entidade, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, limitando-se a dizer que "não comenta investigações em andamento". A situação lembra outros escândalos envolvendo dirigentes do futebol, como o caso de Michel Platini e a eleição presidencial da Uefa em 2016, que também envolveu acusações de irregularidades financeiras.
## A bomba do Daily Telegraph e os furos da investigaçãoSegundo o Daily Telegraph, a ex-assessora teria recebido o pagamento após alegar assédio moral e sexual por parte de Infantino durante seu mandato na Uefa. Documentos supostamente obtidos pela reportagem indicariam que o acordo foi fechado para evitar um processo judicial que poderia expor ainda mais a entidade. A jornalista que assina a matéria, Anna Isaac, é conhecida por investigações agressivas sobre corrupção no esporte, o que adiciona peso — ou contestação — às alegações.
O timing da publicação não poderia ser pior para Infantino. Ele enfrenta pressões internas na Fifa por conta da reforma do calendário de competições e da polêmica em torno da Copa do Mundo 2030, que será disputada em três países. Além disso, a entidade máxima do futebol mundial já foi alvo de denúncias de assédio e má gestão em relatórios internos, o que torna esse novo capítulo ainda mais explosivo.
## Repercussão: da Fifa ao mundo do futebolA reação da comunidade futebolística foi imediata. Enquanto alguns dirigentes europeus preferiram se manter em silêncio, outros, como o presidente da Associação de Clubes Europeus (ECA), Nasser Al-Khelaifi, defenderam Infantino, classificando as acusações como "ataques pessoais". Por outro lado, torcidas organizadas e grupos de ativistas já começaram a circular petições pedindo a renúncia do presidente da Fifa, argumentando que a imagem da entidade está "irremediavelmente manchada".
Na América do Sul, onde Infantino tem forte influência — especialmente por conta da Copa do Mundo 2026 —, a notícia foi recebida com ceticismo por parte da mídia especializada. O jornal argentino Olé publicou uma análise intitulada "O homem que não sabe dizer não", enquanto o brasileiro GE destacou que, se as acusações se confirmarem, o escândalo pode abalar a credibilidade da Fifa em um momento crucial para o esporte.
Vale lembrar que Infantino já esteve no centro de outras polêmicas, como a contratação de sua filha como assessora na Fifa e as suspeitas de favorecimento a países do Catar em licitações. A atual crise, no entanto, é a primeira a envolver diretamente acusações de assédio e irregularidades financeiras em seu passado profissional.
## Análise AmaFutSe as acusações do Daily Telegraph se confirmarem, não será apenas a carreira de Infantino que estará em jogo, mas a própria governança do futebol mundial. O dirigente construiu sua imagem como um modernizador, capaz de trazer inovações como o Mundial de Clubes expandido e a Copa do Mundo a cada dois anos. No entanto, escândalos como esse mostram que, por trás das câmeras, a Fifa ainda opera como uma "casa de vidro" — ou melhor, uma "casa de espelhos", onde cada reflexo pode esconder uma nova rachadura.
A Uefa, por sua vez, tem a chance de se redimir. Em vez de se esconder atrás de um "não comentário", a entidade poderia abrir suas contas e provar que não houve irregularidades. Afinal, se o futebol europeu quer se vender como um modelo de transparência, não pode permitir que suspeitas como essa fiquem no ar. Enquanto isso, Infantino segue na corda bamba, entre a defesa ferrenha de seus aliados e a sombra de um escândalo que pode manchar de vez sua trajetória.
Para os torcedores, resta a pergunta: até quando o futebol vai continuar sendo refém de dirigentes que transformam o esporte em um palco de intrigas pessoais? Enquanto a Fifa não tomar medidas drásticas para limpar sua imagem, o show deve continuar — mas com cada vez menos credibilidade.
Fonte
BBC Sport — Infantino denies claims Uefa paid off alleged 'lover'
Leia também
Ou navegue pelas páginas do blog


