Uefa mira Infantino mesmo após recuar em boicote à Fifa

Uefa não perdoa Infantino: plano de afastamento segue mesmo com fim do boicote
A Uefa surpreendeu o mundo do futebol ao engavetar a ameaça de boicote aos torneios da Fifa, mas não abriu mão de seu objetivo principal: tirar Gianni Infantino do poder. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, mostra que a entidade europeia prefere a estratégia de desgaste político a uma ruptura frontal — ainda que a guerra de bastidores prometa esquentar nos próximos meses.

O recuo estratégico da Uefa não deve ser interpretado como fraqueza. Pelo contrário: ao desistir do boicote — medida que poderia prejudicar clubes e seleções europeias —, a entidade sinalizou que prefere métodos mais sutis para enfraquecer Infantino. A pressão agora deve vir por vias judiciais, diplomáticas e até mesmo dentro dos órgãos de governança do futebol mundial, onde a Uefa ainda tem influência considerável.
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O presidente da Fifa, aliás, já deve ter sentido o primeiro baque. Afinal, se a Uefa desistiu de uma ação coletiva radical, é porque tem outros planos — e eles podem ser ainda mais dolorosos para o suíço. A pergunta que fica no ar é: até quando Infantino aguentará o cerco?
## A estratégia europeia: por que desistir do boicote pode ser um golpe ainda maiorA decisão de abandonar a ideia de boicotar os torneios da Fifa não foi tomada por acaso. Para a Uefa, uma medida tão drástica poderia ter efeitos colaterais devastadores: times europeus ficariam fora da Copa do Mundo, da Copa das Nações ou até mesmo da Copa América — e isso prejudicaria não só a imagem, mas também os interesses financeiros da entidade.
Ao optar por uma abordagem mais cirúrgica, a Uefa aposta em desgastar Infantino aos poucos. A estratégia inclui:
- Pressão judicial: investigações sobre possíveis irregularidades na gestão da Fifa;
- Apoio a candidatos alternativos: incentivo a nomes que possam disputar a presidência da Fifa em 2025;
- Isolamento político: uso da influência europeia para minar alianças de Infantino em outras confederações.
Em resumo, a Uefa não quer matar a galinha dos ovos de ouro — mas quer que ela pare de cacarejar tão alto.
## O que muda agora: o tabuleiro político do futebol mundialCom o boicote descartado, o foco volta a ser o confronto de vontades dentro da Fifa. Infantino, que já sobreviveu a diversas crises, agora enfrenta uma oposição organizada — e não apenas de europeus. Confederações como a Conmebol e a Concacaf também têm motivos para questionar sua gestão, especialmente após polêmicas recentes envolvendo direitos de transmissão e distribuição de recursos.
Ainda assim, o suíço não está desamparado. Ele conta com o apoio de federações africanas e asiáticas, que muitas vezes se beneficiam de suas políticas de expansão e distribuição de verbas. A batalha, portanto, será longa e suja — e o futebol, como sempre, será apenas o campo de batalha.
Para os torcedores, resta a expectativa de que, mais cedo ou mais tarde, a transparência vença. Afinal, quando o poder corrompe, o esporte padece.
## Análise AmaFutA Uefa acertou em cheio ao recuar no boicote. Não porque a medida fosse inválida, mas porque, no futebol moderno, as armas mais eficazes são aquelas que não precisam ser disparadas. Ao optar por uma guerra de desgaste, a entidade europeia transformou uma derrota tática em uma vitória estratégica.
Infantino, por sua vez, está em uma encruzilhada. Se sobreviver, será porque conseguiu neutralizar as pressões; se cair, será porque subestimou a capacidade de seus adversários de jogar o jogo político — e não o futebol. O mais irônico? O esporte que ele comanda pode ser o último a se beneficiar dessa batalha.



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Fonte
BBC Sport — Uefa to push to remove Infantino after dropping boycott
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