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Infantino em xeque: quem assume a Fifa se o presidente cair?

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Redação AmaFutPublicado em 31/07/2026
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Infantino em xeque: quem assume a Fifa se o presidente cair?
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta a maior crise de sua gestão após sua tentativa de vender ações da Copa do Mundo. Com o futuro da entidade em jogo, a pergunta que não quer calar é: quem estaria pronto par...
linkFonte / Crédito:BBC Sport (Futebol)

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta a maior crise de sua gestão após sua tentativa de vender ações da Copa do Mundo. Com o futuro da entidade em jogo, a pergunta que não quer calar é: quem estaria pronto para assumir o posto se o suíço cair?

A polêmica envolvendo a proposta de Infantino de vender participações nos direitos da Copa do Mundo acendeu o sinal vermelho entre os 211 países-membros da Fifa. O plano, que esbarrou em resistência jurídica e ética, expôs fragilidades políticas em um momento em que a entidade já enfrenta cobranças por transparência e reformas. A pressão interna cresce, e o fantasma de uma renúncia — ou até mesmo de um impeachment — começa a rondar o escritório da Fifa em Zurique.

📌 Leia também: Executivo da Fifa acusa Infantino de enganar equipe com venda de competições

Mas afinal, quem poderia ocupar o trono vazio? A lista de possíveis sucessores não é longa, mas inclui nomes com experiência tanto no futebol quanto na política internacional. Entre eles, destacam-se figuras como o atual vice-presidente da Fifa, Victor Montagliani, e até mesmo ex-jogadores que já trilharam caminhos na gestão esportiva, como o português Luís Figo. No entanto, o processo sucessório na Fifa é tão complexo quanto uma final de Champions League: envolve votações, alianças regionais e, acima de tudo, poder.

## A tempestade que se aproxima: por que Infantino está em risco?

A decisão de Infantino de vender 10% dos direitos da Copa do Mundo — um movimento inédito na história da Fifa — foi o estopim de uma crise que já vinha se formando. Críticos acusam o presidente de tentar monetizar demais a principal competição do planeta, enquanto aliados defendem que a medida poderia injetar recursos em projetos sociais e no desenvolvimento do futebol global. O problema é que, na Fifa, dinheiro e poder sempre andam de mãos dadas, e a proposta dividiu até mesmo os membros do Conselho da entidade.

Além disso, Infantino enfrenta acusações de falta de transparência em contratos milionários e de favorecimento a federações específicas. A imprensa europeia, em especial, tem sido implacável, com veículos como o The Guardian e o Le Monde publicando investigações sobre supostos conflitos de interesse. Em um ambiente onde a confiança é tão valiosa quanto um contrato de transmissão, a reputação do presidente suíço está em jogo.

## Os candidatos à sucessão: quem tem cacife para assumir?

A Fifa não é uma democracia, mas uma federação de federações, onde cada continente tem seu peso. Por isso, os possíveis sucessores precisam não apenas de currículo, mas também de apoio geopolítico. Victor Montagliani, atual vice-presidente e presidente da Concacaf, é um nome forte. Canadense de origem italiana, ele tem experiência em negociações e uma boa relação com a América do Norte, um mercado cada vez mais estratégico para a Fifa.

Outro candidato é o português Luís Figo, ex-astro do Real Madrid e da seleção portuguesa. Figo já atuou como embaixador da Fifa em projetos sociais e tem trânsito fácil entre as elites do futebol europeu. Sua imagem de "galã" do esporte poderia ajudar a Fifa a reconquistar a simpatia do público, mas sua falta de experiência em cargos executivos pesa na balança.

Já a Ásia tem seu representante em Chung Mong-joon, ex-presidente da KFA (Federação Sul-Coreana) e ex-membro do Comitê Executivo da Fifa. Um dos principais defensores da Copa do Mundo no Catar, Chung tem influência no continente asiático, mas sua trajetória é marcada por polêmicas, incluindo uma suspensão pela Fifa em 2015.

Por fim, não se pode descartar a possibilidade de um nome externo ao futebol, como um político de carreira. A Fifa já teve presidentes com esse perfil no passado, como o brasileiro João Havelange, que governou por 24 anos. Um candidato assim poderia trazer uma dose de estabilidade, mas também enfrentaria resistência dos "donos do jogo".

## O jogo político por trás da sucessão

A Fifa é um tabuleiro de xadrez onde cada movimento conta. As eleições presidenciais, que ocorrem a cada quatro anos, são decididas por maioria simples entre os 211 membros. Isso significa que alianças regionais — como a união entre África e América do Sul — podem definir o resultado antes mesmo de qualquer votação.

Nos bastidores, já circulam especulações sobre possíveis blocos. A Europa, tradicionalmente poderosa, pode tentar emplacar um nome como o do alemão Oliver Tietz, atual diretor de finanças da Fifa. Já a África e a América do Sul, unidas pelo Grêmio e pelo Inter de Porto Alegre no futebol, poderiam fechar acordo em torno de um candidato comum.

Outro fator decisivo é o apoio das federações menores, que muitas vezes vendem seus votos em troca de benefícios financeiros ou projetos de desenvolvimento. Nesse cenário, um candidato com recursos para "comprar" votos — como Infantino fez em sua primeira eleição — teria vantagem. Afinal, na Fifa, dinheiro fala mais alto do que qualquer estatuto.

## Análise AmaFut

Se a Fifa fosse um clube brasileiro, Infantino estaria no banco de reservas, prestes a ser substituído. O problema é que, na Fifa, não existe técnico para demitir o presidente — só uma assembleia de sócios que, na prática, age como um conselho de administração com poderes quase absolutos. A crise atual é um reflexo de uma entidade que, há décadas, oscila entre o modernismo de suas receitas (como os direitos da Copa do Mundo) e o conservadorismo de suas estruturas.

O maior risco não é apenas a queda de Infantino, mas o vácuo de poder que ele deixaria. A Fifa precisa de alguém que consiga equilibrar os interesses conflitantes entre federações ricas e pobres, entre Europa e América do Sul, entre transparência e segredo. Montagliani, Figo ou Chung? Todos têm pontos fortes, mas nenhum parece capaz de unir o "Fla-Flu" global do futebol.

E enquanto a Fifa não resolver seus problemas internos, o esporte mais popular do mundo segue dependendo de uma entidade que, ironicamente, deveria ser sua maior aliada. Até que ponto os clubes e as seleções — os verdadeiros donos do espetáculo — vão tolerar essa instabilidade? A resposta pode estar no próximo Mundial, em 2026, quando a pressão por mudanças será inevitável.

Fonte

BBC Sport — [Leia a matéria original](https://www.bbc.co.uk/sport/football/articles/c998m4ve0rpo?at_medium=RSS&at_campaign=rss)

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